segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Jorge Paulo Lemann, de promessa do esporte a barão da cerveja


Roberto Altenhofen tem uma série legal sobre personagens do mercado no site Infomoney. Sempre pego as histórias que ele escreve para postar aqui. Então segue mais uma, mas com um gostinho especial: O cara é brasileiro.

Confiram a história de Jorge Paulo Lemann.


Por: Roberto Altenhofen Pires Pereira
InfoMoney

SÃO PAULO - "Um amigo querido e uma das pessoas mais inteligentes que eu conheço". A afirmação de Buffett revela sua relação próxima de nosso próximo personagem. Jorge Paulo Lemann, brasileiro atualmente radicado na Suíça, vai além do império que construiu no mercado. Lemann faz parte da história do sistema financeiro brasileiro, fez escola pelas práticas corporativas, é referência até para o esporte nacional.

Sua rica e extensa trajetória é de difícil resumo em alguns parágrafos. Mesmo com uma promissora carreira como tenista pela frente, optou por outro caminho. Aos dezessete anos, foi estudar economia em Harvard. O objetivo foi concluído com sucesso, aos vinte. Segundo relatos, a decisão de colocar o tênis em segundo plano ocorreu porque "pelo tanto que jogava, percebi que dificilmente estaria entre os dez melhores do mundo", uma vez afirmou à revista Tênis Brasil.

O "futuro promissor" no esporte não é por acaso. Lemann foi campeão brasileiro juvenil aos 17 anos, depois sagrou-se campeão brasileiro por cinco vezes, disputou a Copa Davis por Brasil e Suíça e foi campeão mundial três vezes, na categoria veteranos. Mas para um Personagem do Mercado, o que conta é sua trajetória no mercado.

O Goldman Sachs brasileiro

Finalizados seus estudos em Harvard, Lemann entrou como estagiário no Credit Suisse. Por não gostar da rotina no banco suíço, largou o estágio quando apareceu a oportunidade de defender a Suíça na Copa Davis. No fundo, o futuro de Lemann era como gestor, não empregado.

Entre estas idas e vindas, comprou uma corretora de pequeno porte no Rio de Janeiro, em 1971. A Garantia viria a se tornar o banco Garantia, responsável por boa parte da história de Lemann. Muitos consideravam o Garantia como o Goldman Sachs brasileiro. De fato, Lemann buscou na estratégia de gestão da instituição norte-americana os moldes para a condução de seu negócio.

A "Cultura Garantia", como tratada até hoje, serve como modelo de gestão empresarial. O foco de Lemann era a meritocracia, que proporcionava treinamento intenso e oportunidade de crescimento rápido para os funcionários que obtivessem melhores resultados. A estratégia de competição interna fazia do Garantia o destino de muitos profissionais respeitados. Entre uns e outros, passaram por lá Armínio Fraga e André Lara Rezende.

Pioneirismo

Em sua trajetória, o Garantia atraiu muitos olhares externos. Ainda corretora, em 1976, foi alvo de aquisição pelo JP Morgan. A transformação em banco veio daí, bancada por Lemann. Além de talentos e participação em diversas empresas, o Garantia foi pioneiro no modelo de Private Equity adotado no Brasil.

Depois de resistir ao JP Morgan e de uma estrada de muito sucesso, o banco seria vendido por Lemann ao Credit Suisse em 1998, por conselho de Warren Buffett. Vinha de um ano ruim, um dos únicos em sua longa história. Nesta história, Lemann, através do Garantia, ingressou na base acionária de Lojas Americanas em 1982 e da cervejaria Brahma em 1989, entre outras participações. Em 1993, Lemann funda a GP Investimentos, junto com Carlos Alberto Sicupira e Marcel Telles, seus braços-direitos no Garantia.

O Trio de ferro

Boa parte da trajetória bem sucedida de Lemann relaciona estes dois nomes. Sicupira entrou no Garantia em 1973, um ano depois de Telles. Tornaram-se sócios e parceiros de Lemann pelo restante da vida. Já como GP, adquiriram participações em mais de 30 companhias. Entre as principais, ALL, Gafisa e Telemar.

A chegada de 2004 viria mudar muito esta história. Após vender participações em grande parte destas mais de 30 empresas, o trio se retira da GP. No mesmo ano, o grupo belga Interbrew compra a AmBev e, com o negócio, Lemann, Telles e Sicupira se tornam donos de 25% da maior cervejaria do mundo, até então InBev. Em 2008, a empresa se torna Anheuser-Busch InBev, com a compra do grupo Anheuser-Busch.

Lemann ainda é dono da Lojas Americanas e da Blockbuster; do grupo B2W, além da São Carlos Empreendimentos Imobiliários. Na listagem de 2008 da revista Forbes, aparece na posição 92 dentre as maiores fortunas do mundo, com patrimônio estimado de US$ 5,3 bilhões.

Um caso curioso

Uma passagem muito interessante é contada em uma edição de 2008 da revista Época Negócios. Após entrar no ramo varejista, Lemann se viu diante de um período de instabilidade na administração da Lojas Americanas. Para entender mais do setor, tentou contato com alguns dos principais nomes do mundo no assunto. Um dos que lhe respondeu foi Sam Walton, a lenda que fundou o gigante Wal-Mart.

Lemann marcou encontro com Walton para conversar de negócios e entender mais do setor varejista. Pegou um avião e foi parar em um pequeno aeroporto na pequena cidade de Bentonville, local do primeiro galpão do Wal-Mart. Ao desembarcar, se deparou com um local peculiar - Bentonville hoje possui cerca de 33 mil habitantes.

Lá estava, à espera, um velhote em uma caminhonete carregada com armas e cães. Lemann, acompanhado de Sicupira, então perguntou como faria para chegar em Sam Walton. A resposta: "Sou eu mesmo, sobe aí e vamos embora.". Ao descobrir os dotes de Lemann no tênis, Sam Walton virou sua dupla.

4 comentários:

GUILHERME ANTONIO LINNE disse...

Porra, o Paulo Lemann e tudo isso que vc falou, bacana, so tem uma coisa que nao consigo entender: Ele nao consegue me entregar uma simples geladeira comprada nas americanas.com, pedido 46208089, comprada no cartao, isso quer dizer a vista. Ta me cheirando calote.
Guilherme

liderinvest disse...

Gostei bastante de seu post. Escrevo também sobre empreendedores. Dá uma passadinha lá no meu blog LiderInvest.

Abraço

Mariza

Anônimo disse...

Cala boca Guilherme.
Vc tah falando q um dos caras mais éticos e inteligentes do Brasil (além de segundo mais rico) tá querendo dar calote de uma geladeira?
Q comentário medíocre

Anônimo disse...

Brasileiro é mesmo engraçado. Ele é suíço. Vive na Suíça e ainda assim o tratam como um herói brasileiro. Herói é aquele que sobrevive no Brasil.