sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Raymond Kurzweil - Gênio e inventor



Eu estava querendo postar sobre Raymond Kurzweil desde o início da semana, mas a falta de tempo tá demais aqui. O trabalho e a faculdade estão me consumindo com força. Rs...

Há algumas semanas atrás ví um documentário na Management TV - canal 54 da SKY - sobre o gênio e inventor Raymond Kurzweil, e fiquei impressionado com a sua pesperctiva de futuro, além da sua GRANDE inteligência, é claro. A história dele une as coisas das quais mais gosto: tecnologia e empreendedorismo.

É uma pena ser postado apenas um resumo da vida dele. Vou procurar o documentário na internet depois e tentar postar aqui pra vocês.

Boa leitura!

Raymond Kurzweil

Raymond Kurzweil (Nova Iorque, 12 de fevereiro de 1948) é um inventor e futurista dos Estados Unidos, pioneiro nos campos de reconhecimento ótico de caracteres, síntese de voz, reconhecimento de fala e teclados eletrônicos. Ele é autor de livros sobre saúde, inteligência artificial, transumanismo, singularidade tecnológica e futurologia.

Juventude

Raymond Kurzweil cresceu no Queens, em Nova Iorque, filho de judeus que escaparam da Áustria pouco antes da Segunda Guerra Mundial. Através do Unitário-Universalismo, foi exposto a diferentes fés durante a juventude. Seu pai era um músico e compositor enquanto a mãe era uma artista. Seu tio era um engenheiro da Bell Labs, e o ensinou o básico sobre computadores. Na sua juventude, ele era um ávido leitor de literatura sobre ficção científica. Em 1963, escreveu seu primeiro programa de computador, desenvolvido para processar dados estatísticos, tendo sido usado por pesquisadores da IBM. Ainda no ensino médio, criou um programa sofisticado de reconhecimento de padrões que analisava as obras de compositores clássicos, sintetizando suas próprias canções em estilos similares. O potencial dessa invenção era tanto que ele, em 1965, ele foi convidado a aparecer no programa de televisão I've Got a Secret, apresentando uma peça de piano composta por um computador criado por ele. No fim do mesmo ano, ele ganhou o primeiro prêmio na Feira Internacional de Ciência por sua invenção, sendo parabenizado pelo próprio presidente Lyndon B. Johnson durante uma cerimônia na Casa Branca.

Empreendimentos

Em 1968, ainda estudante do MIT, Kurzweil fundou uma empresa que usava um programa de computador para casar estudantes de ensino médio com universidades. Ele comparava milhares de critérios sobre cada instituição de ensino com respostas de questionários respondidos pelo próprio estudante. Aos vinte anos, ele vendeu a empresa para a Harcourt, Brace & World por cem mil dólares mais royalties. Raymond recebeu bacharel em ciência da computação e literatura em 1970.

Em 1974, Kurzweil fundou a empresa Kurzweil Computer Products, Inc. e liderou o desenvolvimento do primeiro sistema de reconhecimento ótico de caracteres que reconhecia texto escrito em qualquer fonte. Até então, os digitalizadores só conseguiam ler texto escrito dum conjunto restrito de fontes. Ele decidiu que a melhor aplicação para essa tecnologia seria a criação de uma maquina leitora, que permitisse a cegos entender textos escritos ao ouvir um computador ler o texto. Entretanto, esse dispositivo exigia a criação de duas tecnologias, o digitalizador CCD e o sintetizador de voz. Sob sua direção, o desenvolvimento de tais tecnologias foi completado, e em 13 de janeiro de 1976 o produto foi apresentado durante uma coletiva para a imprensa. Chamada Máquina Leitora de Kurzweil, a invenção o levou a um maior reconhecimento. No dia do lançamento, a máquina foi usada no Today; após ouvir a demonstração, o músico Stevie Wonder comprou a primeira versão de produção, começando uma amizade de longa data com Kurzweil.

Em 1978, a empresa de Kurzweil começou a vender uma versão comercial de um programa de computador de reconhecimento ótico de caracteres. A LexisNexis foi uma das primeiras clientes, comprando o programa para digitalizar documentos impressos, formando um dos primeiros bancos de dados digitais conhecidos. Dois anos mais tarde, Kurzweil vende sua empresa para a Xerox, que tinha interesse em aumentar o comércio de sistemas de conversão de texto impresso em texto de computador. A Kurzweil Computer Products se tornou a subsidiária da Xerox, anteriormente conhecida como Scansoft e atualmente como Nuance Communications. Raymond atuou como consultor na empresa até 1995.

Sua próxima iniciativa na indústria foi na área de música eletrônica. Em 1982, após um encontro com Stevie Wonder em que o músico lamentava dividir as capacidades e qualidades de sintetizadores eletrônicos e instrumentos musicais tradicionais, Kurzweil se inspirou para criar uma nova geração de sintetizadores capazes de imitar com acurácia o som de instrumentos reais. A Kurzweil Music Systems foi fundada no mesmo ano, e em 1984 o Kurzweil K250 foi lançado. A máquina era capaz de imitar diversos instrumentos, e, durante testes, músicos não conseguiam distinguir as diferenças do produto com um piano. A empresa foi vendida para a coreana Young Chang em 1990. Assim como com a Xerox, Kurzweil permaneceu como consultor por diversos anos.

Últimos anos

Junto com a Kurzweil Music Systems, Ray Kurzweil criou a empresa Kurzweil Applied Intelligence (KAI) para desenvolver sistemas comerciais de reconhecimento de fala. Estreando em 1987, o primeiro produto foi o primeiro do mundo com amplo vocabulário, permitindo aos usuários ditar ao computador por um microfone. Posteriormente, a empresa combinou a tecnologia com sistemas especialistas de medicina para criar a linha de produtos Kurzweil VoiceMed, atualmente conhecida por Clinical Reporter, que permite aos médicos criar relatórios falando. A KAI é atualmente conhecida por Nuance.

Kurzweil também começou a Kurzweil Educational Systems em 1996 para desenvolver novas tecnologias de reconhecimento de padrões para ajudar pessoas com deficiências como cegueira e dislexia nos estudos.

Durante a década de 1990, Ray Kurzweil fundou a Medical Learning Company, cujos produtos incluíam um programa educacional interativo para médicos e um programa de simulação de paciente. Na mesma época, Kurzweil começou a KurzweilCyberArt.com, um sítio web com programas de comptuador para ajudar na criação de arte.

Em junho de 2005, Ray Kurzweil apresentou o K-NFB Reader, um dispositivo de bolso que continha uma câmera digital e uma unidade computacional. Assim como a Máquina Leitora de Kurzweil trinta anos antes, o K-NFB Reader foi desenvolvido para ajudar cegos ao permitir a leitura em voz de texto escrito. Essa nova máquina era portável e coletava texto através de imagens de uma câmera digital.

Atualmente, Ray Kurzweil está fazendo um filme para lançamento em 2009 chamado The Singularity is Near: A True Story About the Future, baseado em partes de seu livro de 2005 The Singularity Is Near. Parcialmente fictício, ele entrevista vinte intelectuais como Marvin Minsky, e há narrativas que ilustram algumas das ideias. Além do filme, há um documentário independente sendo feito sobre Ray chamado Transcendent Man. Os cineastas Barry e Felicia Ptolemy o seguiram, documentando sua turnê global de palestras.

Livros

O primeiro livro de Kurzweil foi publicado em 1990, The Age of Intelligent Machines, uma obra não fictícia que discute a história da inteligência artificial e prevê desenvolvimentos possíveis. Outros especialistas do campo também contribuíram amplamente no trabalho através de ensaios. Em seguida foi publicado um livro sobre nutrição em 1993, The 10% Solution for a Healthy Life, que argumenta que os altos níveis de gordura são a causa de diversos problemas de saúde comuns nos Estados Unidos, e que cortar o total de calorias consumidas para 10% do atual seria melhor índice para a maioria das pessoas.

Em 1998 foi publicado The Age of Spiritual Machines, que foca na elucidação de suas teorias sobre o futuro da tecnologia. Foi seguido por outro livro sobre saúde e nutrição, Fantastic Voyage: Live Long Enough to Live Forever, coautorado por Terry Grossman, um médico e especialista em medicina alternativa. The Singularity Is Near foi publicado em 2005.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

E o velhinho não para


Quando terminei de ler a bografia do Warren deu a sensação de que ele já não ficaria tão ativo, ou de que não fosse mais capaz de grandes feitos.

Bom, tá aí uma matéria mostrando que eu to errado. O velhinho não para.

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Fonte: Portal Exame

Warren Buffett faz sua maior aquisição

O fundo Berkshire Hathaway, do mega investidor, comprou a Burlington Northern Santa Fe por 44 bilhões de dólares

O fundo Berkshire Hathaway, controlado pelo mega investidor Warren Buffett, anunciou a compra da Burlington Northern Santa Fe, umas das maiores companhias ferroviárias dos Estados Unidos, por 44 bilhões de dólares. A aquisição é a maior já feita pelo fundo sob a gestão de Buffet.
O Berkshire Hathaway vai adquirir 77,4% dos papéis da Burlington Northern Santa Fe que ainda não detém por 100 dólares cada, e também concordou em assumir uma dívida de 10 bilhões de dólares.

"Isso tudo é uma aposta no futuro da economia dos Estados Unidos", afirmou Buffet sobre a negociação.
O bilionário acredita que a alta dos preços do diesel deve manter o transporte por ferrovias mais competitivo que o rodoviário.


sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Canadá quer atrair brasileiros em busca de especialização


Isso é bom. MUITO! bom.

Por: Flávia Furlan Nunes

SÃO PAULO - Você já sentiu vontade de fazer um curso de mestrado ou uma pós-graduação no exterior? Se sim, saiba que o Canadá está interessado nos estudantes brasileiros.

O país possui alto nível de qualidade educacional. Em 2006, um estudo realizado pela OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) mostrou que o país ficou atrás apenas da Finlândia no desempenho dos alunos.

Para atrair os estudantes brasileiros, a consultoria que representa oito universidades canadenses Canadian University Application Centre (CUAC) acaba de se instalar no Brasil. "O nosso objetivo é incentivar a ida de profissionais que realmente queiram se destacar em sua área de atuação, com a absorção de um ensino de qualidade no Canadá. Assim como já ocorre em outros países, como nos asiáticos, queremos incluir o Canadá entre os principais destinos de executivos", afirmou a representante da consultoria, Rosi Vieira.

Oportunidade
De acordo com a consultoria, o objetivo de vir para o Brasil é incentivar principalmente as possibilidades de estudo no Canadá, com a opção de estágio por quatro meses ou mais na área de atuação.

Entre as universidades interessadas nos brasileiros, estão a McGill University, York University's Osgoode Hall Law School, University of Victoria, Saint Mary University, Algoma University, University of Windsor, University of Guelph e University Guelph-Humber.

Os cursos oferecidos abrangem as áreas de Negócios, Engenharia, Administração, Finanças e Ciências da Computação. O nível de cobrança para o estudante estrangeiro também é elevado, sendo que a forma de avaliação varia de instituição para instituição. Normalmente, de acordo com Rosi, é exigida uma média de 75% ou mais de aproveitamento no histórico escolar.

Os cursos têm duração em torno de 12 a 18 meses e incluem o período mínimo de quatro meses de estágio remunerado, caso o candidato seja aprovado em processo seletivo.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Resistência à inovação


Um importante obstáculo que muitos empreendedores enfrentam é a resistência ao que é novo e diferente. Vejam dois exemplos abaixo e depois reflitam.

"A maioria das pessoas desiste mais do que fracassa". Henry Ford.

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Antes de abrir a Amazon.com, Jeff Bezos passou um mês pesquisando novos produtos e mercados para uma importante empresa do mercado financeiro em Nova York. Após intensa pesquisa, propôs que deveriam abrir, em Seatle, uma livraria virtual para vender livros via internet. Como seu chefe não achou um bom negócio, Bezos pediu demissão e abriu a Amazon.com utilizando suas economias e as de alguns familiares. A Amazon é hoje o maior caso de sucesso de comércio eletrônico e, Bezos, um dos homens mais ricos dos Estados Unidos.

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Na década de 1990, uma escritora do Reino Unido, com sérios problemas financeiros, criou um mundo imaginário e sem o “cor de rosa” dos contos de fadas tradicionais. A história de um menino órfão que vivia num lugar sombrio, onde crianças e jovens não eram poupados da crueldade e do sofrimento, era longa e sem final feliz. A autora escolheu um caminho difícil, considerando-se que o livro era voltado para o público infanto-juvenil.

Mesmo contendo ingredientes como magia, ação e esportes radicais, o livro foi mal recebido pelos executivos das grandes editoras britânicas. Depois de muitas recusas (algumas fontes dizem que oito editoras recusaram o livro, outras falam em doze editoras), os originais chegaram à Editora Bloomsbury, e Barry Cunningham decidiu publicar o livro, que foi finalmente lançado em 1997.

Estamos falando de Joanne Kathleen Rowling, a autora da série de livros mais vendida do mundo: Harry Potter. Hoje, J. K. Rowling é a mulher mais rica e poderosa da Inglaterra, segundo a revista Forbes. Sua fortuna pessoal é estimada em mais de 1 bilhão de dólares.

A idéia de Harry Potter surgiu inesperadamente na mente de J.K. Rowling durante uma viagem de trem. Os primeiros manuscritos foram rabiscados em papel barato, e escrever o livro ajudava Joanne a passar o tempo, numa época em que sofria de depressão. Ela diz que nunca esperou sustentar-se escrevendo livros, mas só o fato de ter seu livro publicado de verdade já seria um sonho de infância realizado.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Peter Lynch e suas "10 baggers"


Mais um personagem famoso do mercado.

O engraçado é que estava lendo sobre Lynch nesse final de semana, aí acabo descobrindo que no Infomoney já tinha um texto do colega Altenhofen, que sempre escreve sobre os personagens do mercado. Muito bacana.

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Personagens: de caddying de golfe a investidor, Peter Lynch e suas '10 baggers'

Por: Roberto Altenhofen Pires Pereira
InfoMoney

SÃO PAULO - Provavelmente a maioria dos investidores brasileiros nunca ouviu o termo "10 bagger". De fato, por mais bem sucedido que seja, Peter Lynch não carrega a mesma fama que mega-gurus como Warren Buffett e George Soros. Mas pode ser colocado ao lado deles - os números provam isto.

A propósito, Peter Lynch nada tem a ver com a famosa Merrill Lynch - fundada por Edward Lynch, este sem qualquer parentesco com o "nosso" Lynch. O Personagem da vez é o típico caso de ascensão meteórica: de caddying de golf à lista de melhores investidores do mundo. A propósito, o termo "10 bagger" é usado para denominar as ações cujo valor se multiplicou por 10.

Antes de relacionar o termo ao Personagem, uma breve história. O primeiro contato de Peter Lynch com o mercado acionário foi no mínimo atípico. Ele era o carregador de tacos de um country club em Massachusetts e ouvia sobre o mercado durante as partidas de golfe que envolviam, principalmente, os executivos do fundo Fidelity.

Para começar, US$ 18 milhões

O trabalho de caddying o levou para dentro do Fidelity e a um curso de graduação na Universidade de Boston. No entanto, o serviço militar incluiu uma pausa nesta trajetória. Lynch serviu o exército por dois anos. Quando voltou, concluiu sua graduação, fez pós-graduação e assumiu um cargo de analista de investimentos no Fidelity. Isto aos 25 anos, ganhando cerca de US$ 16 mil por ano.

No Fidelity, começou cobrindo setores específicos, como mineração e petroquímica. Depois disso, chegou a diretor de research da instituição e assumiu a gestão do fundo mútuo Fidelity Magellan, aos 33 anos, em 1977. Quando assumiu, o fundo possuía uma base de ativos próxima de US$ 18 milhões.

Entre os melhores

Aí começa a trajetória do investidor Peter Lynch. No mercado, o "white -haired guru" é famoso por disseminar princípios simples, como o de investir em companhias ou setores que você possui maior conhecimento. Também é reconhecido como um dos expoentes do growth investing - o investimento focado no potencial de crescimento das companhias.

Este lema seguido por Lynch o ajudou a aparecer entre os investidores de melhor desempenho do mundo, além de ser responsável por sua rápida ascensão. Para se ter uma ideia, Lynch acumula rentabilidade anual de 29,2% nos treze anos que ficou à frente do Fidelity Magellan.

O contexto explica sua associação com ações "10 bagger", as tacadas certeiras objeto de sua constante busca. Entre suas "10 baggers" aparecem nomes como Fannie Mae, Phillip Morris e Taco Bell, compradas antes de se tornarem o que se viriam a se tornar. Relatos apontam que nestes 13 anos de Magellan, Lynch comprou mais de uma centena de ações cujo valor cresceu 10 vezes.

Para terminar, US$ 19 bilhões

Quando se aposentou, em 1990, deixou o fundo (que pegou com base de ativos de US$ 18 milhões) com ativos próximos de US$ 19 bilhões. Desde então, se dedica à filantropia, além de assinar alguns best-sellers de investimentos, como "One Up On Wall Street: How To Use What You Already Know To Make Money In The Market" e "Beating the Street".

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Blog - Empreender Mais


Há pouco tempo atrás recebi um convite do colega Jovan Machado para escrever no blog Empreender Mais, que gostaria que vocês visitassem. O blog fala de empreendedorismo e também de assuntos relacionados à área. Leiam a descrição do blog abaixo:

"O EmpreenderMais nasceu da vontade de compartilhar informações sobre empreendedorismo, mas, como sabemos que os empreendedores devem possuir múltiplos conhecimentos também teremos informações sobre contabilidade, economia, tecnologia, administração, gestão e de muito mais. Sempre tentando fazer o melhor e abordar artigos contemporâneos."

Apesar do tempo escasso, aceitei o convite e vou tentar contribuir com alguns textos. A minha motivação maior é estar fazendo um curso de empreendedorismo e inovação, onde tenho estudado muito assunto interessante, que vai dar pra compartilhar lá e aqui.

Não deixem de conferir.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

André Garcia, dono da Estante Virtual


Já que a bolsa só tá fazendo raiva hoje, vou postar mais uma história bacana de secusso. Há pouco mais de dois anos lí, numa revista de tecnologia, sobre André Garcia e o seu site, Estante Virtual. Na época ele estava só começando, mas a ideia era - e continua sendo - demais. Ele soube identificar numa dificuldade uma oportunidade de ganhar dinheiro.

E não é que tem dado certo?

Um amigo meu mandou a matéria, que saiu no site da Uol, sem saber que eu já conhecia a história, mas fiquei muito feliz por saber que o site está de pé, e que o André Garcia vai bem.

Confiram!

"O google dos sebos

O carioca André Garcia teve uma simples: criar um portal de busca e compra de livros
icone postado

13.05.2009 | Texto por Fernanda Danelon

Há três anos o carioca André Garcia teve uma ideia simples e inovadora: criar um portal de busca e compra de livros. Hoje, enquanto a maioria dos empresários se apavora com o caos econômico, ele planeja dobrar seu faturamento

Enquanto altos executivos e grandes acionistas procuram vislumbrar o horizonte em meio a nebulosos anseios diante da crise econômica mundial, o sol brilha forte para André Garcia. O carioca de apenas 30 anos construiu o maior portal brasileiro de busca e compra de livros em sebos, a Estante Virtual, que oferece não apenas produtos antigos com preços em conta, mas também novos com valores bem abaixo dos cobrados pelo mercado. Apenas um exemplo: o último livro de Paul Auster, Homem no escuro (Cia. das Letras, 2008) é encontrado por R$ 28 na Estante (incluindo o frete), enquanto sai por R$ 35, em média, nas grandes livrarias. Por isso, André não teme a crise: “Não me preocupo, ao contrário. A tendência é as pessoas optarem pelos produtos mais baratos, e isso a Estante oferece”, afirma antes de revelar: “Em 2007, totalizamos R$ 6 milhões em vendas. Em 2008, foram R$ 18 milhões. E nossa estimativa pra este ano é vender um total de R$ 36 milhões”.

Em pouco tempo e focado em um nicho, André construiu uma história de sucesso empresarial a partir de uma ideia inovadora. A Estante Virtual reúne 1.305 sebos e livreiros de 233 cidades do país. Disponibiliza mais de 3 milhões de livros online, o que leva 100 mil usuários a acessar o portal diariamente. Pra manter os sebos no portal, André recebe uma comissão de 5% sobre o total de vendas, mais uma taxa mensal de hospedagem de cada sebo cadastrado. Nada mau pra quem começou o negócio há três anos, aos 28 de idade.

Revolução no mercado

No fim de 2002, André empenhava-se pra virar um bem-sucedido diretor de marketing. Mas, depois de galgar a um alto cargo num respeitável banco e de alavancar a carreira numa empresa de telefonia celular, o jovem administrador de empresas continuava insatisfeito: “Estava cansado da alienante rotina corporativa. Quando vi um anúncio da empresa em que um executivo atarefado carregava um celular numa mão e um laptop na outra, foi a gota d’ água. Aquela propaganda refletia o futuro que eu estava construindo pra mim e aquilo era tudo o que eu não queria”, conta ele. Decidido a encontrar novo prumo à sua vida, André largou o emprego pra seguir carreira universitária. Voltou à casa dos pais e estudou durante dois anos pra tese que almejava defender. Mas a bolsa de estudos não rolou e André viu-se novamente sem rumo certo. Foi quando teve um insight.

Em busca dos cerca de cem livros que precisou ler para o mestrado frustrado, André percebeu o quanto era difícil garimpar títulos usados nos sebos. Os acervos mal catalogados desestimulavam qualquer leitor mais animado. Uma pesquisa na internet revelou que a falta de organização dos livreiros se estendia ao universo virtual. Pensou: “Por que não desenvolver um Google dos sebos?”. Micreiro desde a infância, André foi estudar programação e criou, sozinho, seu sistema de buscas. Dois meses depois, lançava a versão básica da Estante Virtual. Ao facilitar o acesso de leitores ao acervo de sebos, livreiros e até de outros internautas (todos os usuários podem cadastrar seus livros pra venda), o site criou uma vasta rede de comercialização de livros alternativa às livrarias. Além de obras raras e usadas, o portal abriga também livros novos e seminovos, comprados em pontas de estoque das editoras a preços baixos. “O mercado editorial brasileiro faz cerca de 50 lançamentos por dia, mas 80% dos lucros das grandes lojas vêm de apenas 20% dos títulos disponíveis. Tá aí um enorme quinhão pra ser explorado”, observa.

Democracia literária

Ao desenvolver um portal com um sistema de busca bastante eficiente, André revolucionou o setor. Uma pesquisa entre os proprietários de sebos sobre o impacto da Estante no mercado revela a transformação: 44% das vendas foram feitas através do site; 71% declararam ter feito investimentos motivados pelo aumento das vendas. “Na democrática visibilidade da web, as páginas mais visitadas são as que mais aparecem nos mecanismos de busca. O dinheiro não pode comprar classificação nesses resultados, e isso é muito saudável.” Por isso, André não precisa anunciar a Estante. Além de aparecer logo na primeira página do Google quando se procura um livro, a propaganda boca a boca garante a projeção.

De fato, André possui o maior bem que se pode desejar: tempo. Colecionador de hobbies, ostenta o luxo de despender uma manhã pedalando até o Leblon ou tocando pandeiro com um bloco de Carnaval de Laranjeiras. Adepto do ócio criativo – teoria do sociólogo italiano Domenico de Masi que sugere um sincretismo entre trabalho, lazer e estudo –, André e seus cinco funcionários trabalham somente seis horas por dia. “Quero que todos trabalhem motivados. Assim, acredito que estou colaborando para um mundo melhor. Não tô aqui só melhorando o meu lado”, acredita o jovem empresário, que mantém na cabeceira obras como Direito à preguiça, de Paul Lafargue, e Sobreviver ao trabalho, de Hermano Roberto Thiry-Cherques. “Quando estava projetando a Estante, vários amigos me aconselharam a procurar um emprego fixo. Se me diziam que eu era idealista, respondia que eles é que eram comodistas. A gente precisa se mexer pra construir uma sociedade mais pacífica e equilibrada.”