quinta-feira, 2 de abril de 2009

Há males que vem para o bem, ou não.



Em tempos de crise financeira, o principal assunto das empresas e famílias é a redução de custos. Errado? Não! Jamais. Entretanto, esta é uma visão que, na minha opinião, deveria ter suma importância independente de estarmos em crise ou não. Quem vem fazendo o trabalho de casa, com toda certeza, está mais forte nesse momento delicado que estamos vivendo.

Como algum de vocês - leitores assíduos - sabem, moro em Macaé e trabalho na Petrobras. A matéria abaixo vem retratando justamente isso que comentei acima; a questão do corte de custos, além dos problemas que isso pode causar na economia quando feito abruptamente.

Sempre fui uma pessoa preocupada com os gastos excessivos e procuro, dentro da minha área, trazer o maior benefício para a empresa que trabalho. Mas, em tempos de bonança, nem todo mundo é assim. A crise tá aí pra mostrar que a nossa cultura de gastos não era a correta, e isso é ótimo. Entretanto, no meio desse monte de corte, as empresas locais e ligadas a Petrobras sofrem. Me preocupa a questão do desemprego, mas me preocupa também a saúde da maior empresa do país. Assim ficamos nessa sinuca de bico...



Só espero que depois de tudo a cultura seja outra.

Fonte da matéria: Revista Exame.

__________________________________________

A "Q&B é uma pequena empresa de operação e manutenção de sondas e guindastes em Macaé, no litoral fluminense, centro nervoso da produção de petróleo do país. A empresa, que fatura 60 milhões de reais, quadruplicou as receitas nos últimos quatro anos, impulsionada pelo boom no preço do barril do petróleo. Assim como quase todas as 7 000 empresas de Macaé, a Q&B presta serviços para companhias estrangeiras, mas sua sobrevivência depende mesmo é da Petrobras, já que 95% das receitas vêm de contratos com a estatal. Na última semana de dezembro, enquanto a maior parte dos 820 funcionários se preparava para passar o Natal em família, 15 empregados foram demitidos. Em outubro, a Q&B vencera uma licitação para operar três sondas na bacia de Campos por três anos, mas o contrato, de 70 milhões de reais, não foi assinado. Em janeiro, a empresa deixou de receber 3 milhões de reais da Petrobras, ficou sem metade de seu faturamento e teve de se endividar para sobreviver. "Sem esses empréstimos, não teríamos como pagar nossos fornecedores", diz Ronald Rodrigues, gerente de operações da Q&B. Situação parecida vive a Usipetro, fabricante de equipamentos para sondas que cortou um dos dois turnos de produção e demitiu 15 dos 43 funcionários em dezembro, depois da queda de 60% nos pedidos da Petrobras. Desde novembro, o faturamento da empresa caiu à metade.

Relatos de dificuldades como esses tornaram-se comuns nos últimos meses, especialmente em Macaé. A cidade é a base de operações da Petrobras na bacia de Campos, responsável por 83% da produção de petróleo do Brasil. Com 70% de sua economia ligada direta ou indiretamente à estatal, Macaé é uma espécie de termômetro das tendências da indústria petrolífera nacional. No início da década, a cidade viveu uma fase áurea. Mais de 2 500 empresas, nacionais e estrangeiras, instalaram-se ali. O índice de criação de empregos chegou a 15% ao ano, quase cinco vezes maior que a média brasileira. Os abalos recentes no município começaram no final do ano passado, quando a Petrobras entrou numa cruzada pela redução geral dos custos. A companhia convocou todos os fornecedores e prestadores de serviços para rediscutir os valores dos contratos. Adiou como pôde os pagamentos e cancelou as licitações em que o preço apresentado pelo vencedor ficou acima do previsto inicialmente - entre elas, as plataformas P-61 e P-63. "Não vamos construir nada a qualquer preço", disse o presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli, ao explicar os cortes da empresa. Segundo o diretor financeiro, Almir Barbassa, a meta é diminuir 30% dos custos em toda a empresa. Os cortes chegaram até mesmo às viagens e confraternizações de final de ano e alguns funcionários foram surpreendidos com a cobrança de ligações além do limite estabelecido para o uso do celular corporativo. Em janeiro e fevereiro, a empresa já conseguiu diminuir 25% dos gastos administrativos em relação aos dois primeiros meses de 2008.

No entorno da Petrobras, esses movimentos são acompanhados com muita atenção e preocupação, mas quase sempre em absoluto silêncio. Dias depois de se dizer "muito estressada" com os cortes de custos na Petrobras, a executiva de uma empresa de geofísica procurada por EXAME procurou minimizar o assunto. "Estamos muito bem e não sofremos nenhum impacto até agora", afirmou. "A Petrobras tem um poder de barganha muito grande. Vai ser inevitável que algumas empresas saiam do mercado", diz o consultor Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), cerca de 300 de suas associadas dependem da Petrobras para manter seus negócios. "Nossa orientação é que elas resistam a reduções que afrontem os contratos", diz José Velloso, vice-presidente da entidade. Mas até as arraias da bacia de Campos sabem que a estatal vai forçar a baixa nos preços, em especial de equipamentos, usando como trunfo a forte queda no preço do minério de ferro e do aço. Para isso, a Petrobras está disposta a adiar projetos até que os valores se encaixem na nova política de preços.

Para os analistas ouvidos por EXAME, o esforço da Petrobras é saudável, embora um tanto tardio. "A empresa devia ter reduzido custos antes da crise. Mas, agora, os cortes se tornaram ainda mais importantes. Sem eles, ela perde eficiência e os investimentos sairão ainda mais caros", diz Emerson Leite, do banco Credit Suisse. Nos últimos cinco anos, o custo dos produtos vendidos - um dos indicadores usados para medir os custos da Petrobras - triplicou e as despesas operacionais dobraram. Juntos, eles produziram uma alta de 270% no custo total da empresa. Em tempos de alta recorde no preço do petróleo (o barril chegou a valer 147 dólares em julho passado), só se prestava atenção nos lucros igualmente recordes. O ano de 2008 foi ainda o do deslumbramento com a descoberta de óleo leve na camada do pré-sal, justificadamente comemorada. A situação começou a se inverter com o primeiro balanço divulgado após o agravamento da crise financeira. Os números de 2008 mostraram ainda um lucro recorde, mas a queda de 53% na margem de lucro operacional da Petrobras saltou aos olhos. Se quiser manter os 29 bilhões de dólares de investimentos previstos para 2009, a estatal não tem outra saída a não ser cortar e cortar. Quando anunciou os planos de investimento de 2008 a 2012, a Petrobras previu que 85% de seus investimentos seriam financiados com capital próprio. Em 2009, contudo, a empresa só terá 30% dos recursos necessários. O resto terá de vir de empréstimos com BNDES e outras instituições financeiras.

Os principais resultados da redução de gastos devem começar a ser sentidos pelo mercado apenas no segundo trimestre, de acordo com a própria Petrobras. Segundo empresários do setor ouvidos por EXAME, os maiores fornecedores da estatal, que têm contratos de prazos mais longos, ainda não tomaram providências drásticas para reduzir funcionários e investimentos porque não sabem a extensão do estrago. As características da indústria de petróleo brasileira fazem com que o ajuste tenha vindo mais tarde do que no resto do mundo. Nos últimos meses, todas as grandes petrolíferas do planeta anunciaram cortes de custos, demissões e redução de produção. Muitos fornecedores da Petrobras ainda nutrem a esperança de serem menos castigados do que seus pares no exterior, já que a Petrobras é responsável por cerca de 30% dos investimentos previstos no Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo Lula, e não pode simplesmente suspender o desenvolvimento de seus campos exploratórios no pré-sal. Outros, mais pessimistas, esperam apenas ser capazes de sobreviver à crise, para reerguer-se daqui a alguns anos, quando os preços do petróleo se recuperarem e o pré-sal estiver em plena operação."


1 comentários:

Fernanda! disse...

Vic meu lindo...Vim me despedi, fico fora uns dias... Te cuida!


Bjitos de luz!