sexta-feira, 27 de março de 2009

Edivan, fundador da Sedi.

Mais uma história de sucesso, mas com um diferencial de algumas que já postei: A prova de que o racismo ainda existe, principalmente nas classes mais altas da sociedade. Ainda bem que existem pessoas que, como o Edivan, encaram isso com um sorriso e - MUITA - boa vontade.

_______________________________________

"Edivan Costa largou uma carreira incerta no futebol para ajudar grandes empresas a driblar a burocracia que atrasa a vida de quem faz negócios no Brasil."




O mineiro Edivan Costa, de 36 anos, começou a se tornar um especialista em driblar a burocracia que atrapalha os negócios no Brasil no dia em que decidiu abandonar o futebol. Ele estava prestes a fazer 18 anos e era zagueiro do time de juniores do Palmeiras, em São Paulo. "Estava de férias na casa da família, em Belo Horizonte, quando meu pai sofreu um derrame", diz ele. "Decidi ficar em Minas para dar uma força em casa e achar uma profissão que me permitisse um dia ser dono do meu negócio."

Hoje, seu negócio é ajudar empresas a conseguir a papelada necessária para funcionar. Para quase todo mundo, trata-se de um aborrecimento. Para Edivan, foi a oportunidade de construir a Sedi, especializada em ajudar os outros a manter as licenças em dia. Em 2008, a Sedi faturou 7 milhões de reais. As receitas vêm crescendo, em média, 20% ao ano, com uma carteira de grandes clientes que inclui Unibanco, Carrefour e C&A.

"Para abrir um hipermercado, é preciso 64 licenças; para um supermercado, 52", diz, sem consultar nenhuma anotação. "Uma farmácia só precisa de 12, e nada é tão difícil quanto abrir um posto de gasolina, o que exige 120 licenças." Quem o ouve falando com tanto entusiasmo percebe que ele realmente se dedica ao que faz - uma característica que traz dos tempos de atleta. No América de Belo Horizonte, onde jogava antes de ir para o Palmeiras, Edivan foi colega de atletas que depois chegaram à seleção brasileira, como os atacantes Euler e Palhinha. Os dois se lembram dele como um zagueiro disciplinado. "Ele jogava com muita força, era muito viril", diz Palhinha, bicampeão mundial pelo São Paulo nos anos 90, hoje técnico de futebol.

Edivan Costa, 36 anos


O principal trabalho da Sedi é lidar com o emaranhado de legislações federais, estaduais e municipais que tanto atrasam a abertura de negócios e criam obrigações que poucas empresas conseguem cumprir à risca, sujeitando-as a multas de até dezenas de milhares de reais.

Os 100 funcionários que a Sedi mantém nas filiais em dez estados se embrenham quase diariamente em repartições públicas atrás de quem possa interpretar as regras para fazer com que os processos andem mais rápido. Segundo Edivan, é possível ganhar tempo com medidas muito simples, como saber quais documentos devem chegar a quais funcionários - tarefa que qualquer um que já tenha lidado com essa confusão toda sabe que nem sempre é fácil. "Boa parte do nosso trabalho é encontrar e organizar as informações", diz.


Como lidar com a burocracia


Para se manter atualizado, é preciso disciplina. Durante uma semana por mês, ele dedica o período das 15 às 20 horas a percorrer os sites dos órgãos públicos. "Leio portarias, resoluções e circulares que informam alterações de procedimentos", diz. Os funcionários da Sedi têm de criar rotinas para não deixar escapar nenhuma mudança nas regras - e, no Brasil, elas vivem mudando.

Edivan costuma passar semanas inteiras fora de casa para se relacionar com funcionários públicos. "Conheço pessoalmente centenas de técnicos nos órgãos públicos, vários secretários de estado e até alguns governadores", afirma. Nesses encontros, ele está sempre de terno e gravata de marcas famosas e lembra um pouco, na aparência e no porte físico, um atleta profissional em dia de prêmio.

Quando deixou o Palmeiras, conseguiu emprego como office-boy numa imobiliária de Belo Horizonte. Logo percebeu que muitos empresários iam lá para contar com os serviços de um dos sócios, que era advogado, para tirar alvarás e pagar taxas da prefeitura. Aos poucos, foi ficando claro como ser um bom despachante imobiliário. De pasta em punho, ele percorria juntas comerciais, secretarias e órgãos públicos e achava atalhos para fazer tudo andar mais rápido. "Descobri que o que atrapalha é a documentação incorreta e a falta de informação", diz. "Nas repartições, são raros os que sabem orientar. E isso acaba atrasando os processos."

Quando um dos sócios saiu para abrir um escritório de advocacia, Edivan foi junto para ser despachante imobiliário. Entre os novos clientes estava o dono de uma rede de supermercados de Belo Horizonte que enfrentava dificuldade para manter em dia as licenças de 38 lojas. Edivan disse a ele que resolveria seus problemas em um mês. "Não combinamos preço. Ficou acertado que eu pediria o presente que quisesse se conseguisse", diz. Um mês depois, estava com todas as licenças nas mãos. Em troca, quis que o empresário o indicasse a outras pessoas. Os negócios começaram a crescer e ele convidou sua irmã, Églima, para ser sua sócia.

Em 2001, a rede foi comprada pelo Carrefour, e a Sedi passou a atender o grupo francês. Em dois anos, contava com filiais em praticamente todos os estados em que havia supermercados do Carrefour. "Seria muito difícil se manter em dia com as regras de estados diferentes sem contar com o trabalho da Sedi", diz Ricardo Caparica, gerente de regularização do Carrefour. "O trabalho deles nos ajudou a expandir as operações em pouco tempo. Só nos últimos dois anos abrimos mais de 140 farmácias e postos de gasolina."

Os irmãos dividem as responsabilidades. Edivan é o diretor comercial e operacional, enquanto Églima, formada em contabilidade, responde pela administração e pelas finanças. Edivan deixou inacabado o curso de direito, e boa parte do que sabe sobre gestão aprendeu como autodidata - entre seus livros prediletos estão os do professor Vicente Falconi. Uma das lições dessas leituras é que as operações de uma empresa precisam estar baseadas em processos que possam ser repetidos e ensinados a novos funcionários. Por isso, Edivan faz roteiros detalhando passo a passo cada tarefa. "Isso nos permite obter um documento numa fração do tempo que os clientes levariam", diz.

"Sorridente em tempo integral, ele parece ser à prova de aborrecimentos. "Uma vez, o frentista de um posto de Belo Horizonte me perguntou se eu era pagodeiro", diz ele. "O rapaz falou que, com o meu carro, vestido como eu estava e acompanhado de uma amiga minha, loira, se não fosse músico ou atleta, só poderia ser ladrão." Certa vez, ao visitar um cliente, um executivo com quem teria uma reunião minutos depois achou que Edivan fosse ascensorista. "Procuro não me chatear com essas coisas e respondo com uma piada", afirma. "Para muita gente, é difícil aceitar que um negro possa ser bem-sucedido."

8 comentários:

Fernanda! disse...

Eu conheci um cara q trabalhou na fazenda da minha Dinda(Vozinha) não sabia escrever o próprio nome aos 18 anos, hoje aos 28 é o engenheiro agronomo mais respeitado e procurado aqui no centro oeste...Qual a semelhança? é negro e tem o mesmo sorriso...È lindo!


Ah!! E fiz angronomia baseada nele.


Bjos meu lindo!

Márcya DF disse...

EDIVAN... é difícil falar sobre ele. É a criatura mais carismática, batalhadora e encantadora que já conheci.
Ele é um presente de DEUS em minha vida.
Dá vida ao meu conceito de EMPREENDEDOR!

Luciene disse...

Ola Victinhu!!
Obrigada pelo comentário e principalmente por postar a entrevista do Edivan.

Ele é realmente esse perfil traçado na entrevista: Sorridente e batalhador.

Abraços,

Luciene Rodrigues
Assessora de Imprensa SEDI

Anônimo disse...

Foi interessante ler a entrevista deste grande homem. O conheci quando ele ainda andava de ônibus e carregava uma pequena pastinha embaixo do braço, ali, certamente eram seus sonhos, e hoje uma fundamentada realidade. É uma, senão a maior, pessoa que tenho admiração nesta vida, veio de baixo para cima. Tem uma família que é a base do seu sucesso e uma facilidade fora do comum para constituir um círculo de amizades.

Alexandre Marcus
Diretor do Grupo Zambia de Comunicação

Marcelo Cherto disse...

Além de cliente, sou fã do Edivan. E torço muito pelo sucesso desse empreendedor, que é um exemplo para todos nós.

Welerson disse...

Isto ai Edivan vc e realidade parabens pelo seu sucesso uma historia de sucesso onde vale a penar a gente pegar como exemplo Nando me mandou Link e foi bom conheçer um pouco da sua historia de sucesso parabens Lelo....

Anônimo disse...

Isto ai Edivan vc e realidade parabens pelo seu sucesso uma historia de sucesso onde vale a penar a gente pegar como exemplo Nando me mandou Link e foi bom conheçer um pouco da sua historia de sucesso parabens Lelo....

Soluções em Serviços Imobiliórios disse...

maravilhoso mesmo ver e ouvir a história do Edivan! Me lembro de ter cruzado com ele, algumas vezes em setores de órgãos públicos. Parabéns Sucesso sempre!!!