quarta-feira, 15 de outubro de 2008

As lições do maior investidor da história


No mês que vem será lançada a tão aguardada biografia de Warren Buffet, a maior lenda do mercado financeiro. O pessoal da revista Exame conseguiu acesso exclusivo a esta biografia e a Cristiane Mano escreveu o pequeno texto abaixo:


Por Cristiane Mano:

Warren Buffett pisou pela primeira vez as calçadas de Wall Street quando era apenas um garoto de 10 anos. Ele partiu em viagem com seu pai da pacata Omaha, no meio-oeste americano, com destino a Nova York para comemorar seu décimo aniversário. Como presente, o pequeno Buffett quis conhecer três lugares - uma fábrica de selos e moedas, outra de trens de brinquedo e, algo bem incomum para um menino de sua idade, a bolsa de valores. Uma cena em especial marcou sua vida dali em diante, um encontro inesperado com um dos homens mais poderosos de Wall Street, Sidney Weinberg, o então presidente do banco Goldman Sachs. Weinberg colocou as mãos em seu ombro e perguntou: "De que tipo de ação você gosta, Warren?" Nos anos seguintes, Buffett dedicou-se obstinadamente a encontrar a resposta. O resultado é uma das estratégias de investimento mais bem-sucedidas e reverenciadas de toda a história. Warren Buffett, hoje um senhor bonachão de 78 anos, tornou-se uma máquina de ganhar dinheiro sem par. Seu sucesso, mantido em mais de meio século de altos e baixos do mercado, virou lenda - uma lenda que ele soberbamente mantém atual. Uma de suas cartadas mais recentes - e surpreendentes - salvou o Goldman Sachs, outrora presidido por Weinberg, de ser engolido pela maior crise financeira das últimas décadas. No final de setembro, Buffett investiu 5 bilhões de dólares no Goldman. Provar que essa aquisição foi mais um tiro certeiro será um dos maiores desafios de sua carreira. Seus ensinamentos, baseados em puro bom senso, surgem como luz num momento especialmente sombrio e incerto do mercado financeiro.
O sucesso acumulado durante décadas transformou Buffett numa espécie de ídolo dos investidores. Todos os anos a concorrida convenção de acionistas de sua holding - a Berkshire Hathaway, que possui participações de empresas como Coca-Cola e American Express - tira a cidade de Omaha de seu marasmo interiorano, num evento tão catártico que as pessoas se referem a ele como um Woodstock do mundo dos negócios. A multidão aumenta ano após ano e, em maio de 2008, reuniu mais de 50 000 visitantes. Quem espera encontrar um típico barão de Wall Street com um terno bem cortado pode se surpreender com um sujeito com a gravata e os cabelos desalinhados e que parece se divertir com a própria popularidade. O maior investidor-celebridade do planeta já cantou em frente à platéia da convenção de acionistas da Berkshire, apareceu em duas novelas americanas (a mais recente delas, em março deste ano, no papel dele mesmo) e por diversas vezes pôs a leilão a chance de almoçar ou jantar com ele no popular site eBay (em todas elas, destinou o próprio cachê milionário a causas filantrópicas). O fascínio que Buffett desperta arrasta uma legião de seguidores que se autoproclamam "buffettologistas", além de uma lista infindável de livros sobre seu estilo de investimento. "Para seu deleite, ele sempre se manteve no noticiário", diz Alice Schroeder, a ex-analista de investimento que escreveu a biografia Snowball, lançada no dia 29 de setembro nos Estados Unidos e à qual EXAME teve acesso antecipado. "Mas poucas pessoas puderam conhecê-lo de verdade."
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Alice é uma delas. Durante os cinco anos que levou para escrever Snowball ("Bola de neve", em português, uma metáfora da capacidade de Buffett de fazer com que dinheiro chame mais dinheiro), ela teve acesso privilegiado ao investidor - o que distingue drasticamente seu livro das dezenas de livros já publicados sobre Buffett. A obra, que será lançada em português em novembro pela editora Sextante, mostra pela primeira vez como os princípios de seu estilo de investir foram moldados desde a infância. Um dos principais surgiu por influência de seu pai, Howard, dono de uma pequena empresa de investimentos em Omaha. O precoce Buffett desde muito jovem batizou-o de inner scorecard. Numa tradução livre, trata-se de algo como um "placar interno", capaz de fazer com que alguém tome decisões baseadas apenas em suas convicções e isentas da influência de outras pessoas. Mais tarde, esse princípio foi aprimorado com seu professor Ben Graham, na Universidade Columbia, em Nova York. Com Graham, que se tornou também seu primeiro e único chefe, Buffett aprendeu a ver o mercado financeiro como Mr. Market, um sujeito temperamental que oferece ações a preços que não fazem sentido e que, de tempos em tempos, dá a chance de comprar barato e vender caro. (A devoção ao pai e ao guru Ben Graham era tanta que ele batizou seu primogênito de Howard Graham Buffett. Apesar das "credenciais", Howard Graham nunca se interessou pelo mercado financeiro e decidiu cuidar de uma fazenda e dedicar-se a causas ambientais.) A lógica por trás desse distanciamento fez com que Buffett preferisse continuar morando na distante Omaha, a cerca de 2 000 quilômetros do centro financeiro de Nova York, quando decidiu montar sua empresa de investimentos, aos 26 anos. A determinação em seguir apenas as próprias convicções forjou uma de suas frases mais célebres: "Nunca ouço analistas. Wall Street é o único lugar onde pessoas que andam de Rolls-Royce tomam conselhos de quem anda de metrô". O resultado é um dos princípios básicos do estilo de Buffett: a imunidade ao efeito manada, que o faz ignorar muitas vezes o frisson do mercado e a tomar decisões que contrariam o senso comum.

1 comentários:

Úniica e exclusiiva disse...

Adorei vim aqui!

Texto interessante ... gosto de economia, leio sobre mas, ainda sou uma leiga curiosa.
Faço Administração de Empresas por isso, linkei você no meu blog, adoro ficar informada e atenada.

Obr! Abraço...